O Precário Ensino de Matemática no Brasil

Recentemente foi publicado um estudo sobre o índice de qualidade elaborado pela empresa Pearson, de materiais e serviços educacionais. Esta pesquisa coloca o Brasil na penúltima posição da lista, atrás de nações como Colômbia, Tailândia e México. Apenas os estudantes da Indonésia perdem para os brasileiros. Foram avaliados 39 países mais a região de Hong Kong. Para saber mais sobre este estudo recomendo o artigo Educação: Brasil aparece em penúltimo no ranking mundial

Há quase 10 anos, o autor do artigo O drama do ensino de Matemática afirma que "resultados tão desastrosos mostram muito mais do que a má formação de uma geração de professores e estudantes: evidenciam o pouco valor dado ao conhecimento matemático e a ignorância em que se encontra a esmagadora maioria da população no que tange à matemática. Não é por acaso que o Brasil conta com enormes contingentes de pessoas privadas de cidadania por não entenderem fatos simples do seu próprio cotidiano, como juros, gráficos, etc. —os analfabetos numéricos".

"A enorme demanda por professores de matemática estimulou a proliferação de licenciaturas. Nas faculdades, há muita vaga e pouca qualidade, o que transforma as licenciaturas em cursos atraentes para os que desejam um diploma qualquer. Produz-se assim, um grande contingente de docentes mal formados ou desmotivados. Esse grupo atua também no ensino superior, sobretudo nas licenciaturas, criando um perverso círculo vicioso".



Tudo isto já era esperado devido a conjunção de vários fatores, tais como, a falta de investimentos na Educação, a falta de professores qualificados, cursos de má qualidade, políticas pedagógicas equivocadas, livros de baixa qualidade cujos autores e editoras visam apenas o lucro, deixando de lado, o principal, que é ensinar os alunos a pensar. Além de tudo isso, temos também um movimento apoiado por diretores, secretarias de ensino e por alguns pais de alunos que chama-se pressão par dar nota azul. A imagem abaixo explica de forma bem humorada o que eu quero dizer. 

Outro trecho do artigo O Drama do Ensino de Matemática, o autor sabiamente comenta que "nos últimos 30 anos, implementou-se no Brasil a política da supervalorização de métodos pedagógicos em detrimento do conteúdo matemático na formação dos professores. Comprovamos, agora, os efeitos danosos dessa política sobre boa parte dos nossos professores. Comprovamos, agora, os efeitos danosos dessa política sobre boa parte dos nossos professores. Sem entender o conteúdo do que lecionam, procuram facilitar o aprendizado utilizando técnicas pedagógicas e modismos de mérito questionável".

No post, A Matemática é o Problema do blog Fatos Matemáticos, temos uma frase muito interessante da pesquisadora do IMPA, Suely Druck. Segundo ela, a matemática é sequencial, se não aprende a somar, não aprende a multiplicar. Se não aprende a multiplicar, não aprende a dividir... Deste modo, a Matemática é uma grande teia com várias nós interligados entre si.

Atualmente, o que vemos na licenciaturas, são alunos que estão no último semestre com dificuldades em somar frações, resolver problemas algébricos simples, regra de três e porcentagem. O paradoxo disso tudo é que eles irão obter seus títulos e levarão consigo todas as suas dificuldades e carências para a sala da aula. Na verdade, estes alunos que estão atualmente nas universidades são produtos de professores com pouco conhecimento. 

Um estudo de 2010 do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que, se a economia do país crescer 3,5%  ao ano, a partir de 2015, nosso estoque de engenheiros não atenderá a demanda e a escassez será um grave problema. Basta lembrar que a formação de um bom profissional da engenharia deve conter boas disciplinas dadas por bons professores de Matemática, Física e Estatística.   

São várias medidas que podemos tomar para melhorar a qualidade dos futuros professores e engenheiros. Como não sou especialista da área, mas arrisco a dizer que um grande mal das universidades federais e estaduais está na estabilidade do emprego do professor, independente da qualidade de suas aulas ou da ausência de pesquisas. 
 
E por que muitos não se revoltam contra este sistema danoso?

A resposta é simples, o governo com o dinheiro do seu bolso recolhido através dos impostos é o maior empregador do país. É muito mais fácil fazer parte de uma estrutura grande e receber os benefícios dela, do que lutar contra ela. 

Caso queira mais sobre as mazelas de nossas universidades e das soluções a serem implantadas, recomendo que leia e divulgue os vários posts do blog do professor Adonai Santana da UFPR.

3 comentários :

O debate e algumas das questões apontadas aqui são relevantes, más não é profundo. Começar a reflexão por uma lista em que se define quem é o primeiro(Sabe-se lá como!)e quem são os finalistas, fazer comparações!? Tolice!!! Não é legal e nem é o caminho para encontrarmos soluções. É preciso mais do que isso para provocar um debate sério(vejamos os próximos comentários aqui). Fato é que o ensino de Matemática é precário e em muitos países.(Vivemos uma crise a muito tempo anunciada). Existem inúmeras outras questões sobre a qualidade do ensino que devem ser colocadas e não só sobre o ensino de Matemática(que negócio é esse?). Quem é professor em sala de aula, com dez, quinze ou mais anos conhece. Só para citar uma situação, alunos do ensino médio de escola pública só passaram a receber livros a partir de 2005 nesse país. A muito tempo professores da educação básica e do ensino superior neste país pedem socorro e uma sociedade inteira finge que são loucos desvairados inclusive por terem escolhido viver de tal profissão e que hora ou outra invadem algumas avenidas para se fazer ouvir. ESCUTEM ESSES PROFESSORES!!. Engenheiros?!(Rsrsrs), faltam e faltarão profissionais qualificados em várias áreas e tem mais... Os poucos e excelentes ou NÃO tão excelentes professores que ainda existem desaparecerão se nada for feito. Sobre as faculdades que em algum momento se proliferaram... se não fossem as mesmas o número de professores seria enorme e olha que nesse meio, e em todos os outros, existem inclusive bons profissionais e que sabendo de sua formação deficitária estão constantemente se atualizando(isso vale para qqr área. O mundo mudou!!!). Quem e o que motiva esses professores a continuar?? É gente que topou e topa o desafio de fazer educação pública com mais qualidade. Falar sobre estabilidade...(estabilidade no que mesmo???). Fica parecendo que o disgraçado do professor é o culpado. Não gosto de alguns dircursos superficiais que andam formando opinião por aí a fora. Não vou me alongar mais. Existem inúmeras iniciativas BRASIL a fora que fazem o ensino de Matemática avançar( a lista do que anda acontecendo é enorme e daria um post inteiro). É só um comentário, desculpe-me. Deve ser o meu bom humor ao avesso, numa trajetória de 14 anos de sala de aula como professor de Matemática com duas pós graduações (a caminho da terceira) e cuja principal meta é fazer uma nação ler e entender a própria conta de luz.

Um Professor no Brasil
Olá caro leitor, o seu comentário abre portas para vários outros comentários e reflexões. Tenho consciência que o ensino no país e especificamente o de matemática está precário. Mas quais as atitudes que devemos tomar para mudar este quadro? As políticas pedadógicas e as reformas dos livros trouxe mais confusão e baixa qualidade do que existia antes. Não acho que o professor é o culpado, mas também não é inocente. A estabilidade nas universidades públicas deveriam extinguir imediatamente ser quisermos ter novamente qualidade no ensino.
Muitos professores "morrem" após passar em um concurso público, mas não são enterrados, transformam em mortos-vivos e ficam aproveitando uma vida profissional fácil, sem pesquisa e com péssimas aulas pois sabem que não serão demitidos por isso.

Para não ampliar muito este assunto, faço um convite de redigir suas ideias em um arquivo, me enviar por e-mail para ser transformado em post aqui na UBM.

Creio que você tem mais conhecimento e experiência para tratar este assunto.

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